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O que são traumas emocionais?

Atualizado: 13 de ago. de 2023


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Boa parte dos traumas emocionais ocorrem ao longo da infância e da adolescência

Dificilmente você vai encontrar uma pessoa que não tenha vivido algum tipo de trauma emocional ao longo da vida e isso se deve ao simples fato de estar viva. Imagens, sons, cheiros, e até mesmo texturas são caminhos para se apreender a vida, a sua memória associa um cheiro a uma comida boa de sua infância, ou ao hospital que você sentiu medo, pois tomou muitas injeções quando pequeno. Do mesmo modo, os sentidos básicos vão “trazer para dentro” uma situação que você poderá perceber como traumática.

Na sociedade são comuns falas do tipo: “isso vai traumatizar esse menino”, e muitas falas ou ações, consideradas brincadeiras, podem de fato ser lesiva àquela criança (apesar de serem aceitas).

É certo que boa parte dos traumas emocionais ocorrem ao longo da infância e da adolescência. São fases da vida em que os sujeitos estão em formação, sendo mais sensíveis ao que vem de fora, assim, por terem maior influência do meio, tornam-se mais suscetíveis aos traumas. Dito isso, vale um alerta: são os adultos que podem contribuir, ou prejudicar no processo de formação psíquico das crianças e dos adolescentes.

Então, quanto mais amigável e acolhedor for o meio no qual a pessoa está inserida, maiores são as chances de conseguir lidar com situações estressantes sem que deixem marcas tão profundas, podendo inclusive evitar que se tornem traumáticas.


Mas, afinal, o que são os traumas emocionais?

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Trauma emocional (ou psicológico) é uma experiência estressante, maior que a capacidade da pessoa de suportar o evento estressor

De um modo geral, é importante entender que trauma é uma lesão ocasionada por um fator externo, como quando,

você bate sua perna em um lugar e gera um hematoma (trauma no corpo). A partir desse pressuposto, a psicologia aprofundou no conceito e trouxe a ideia de trauma emocional (ou psicológico) que é uma experiência dolorosa, ou fortemente estressante, quer seja por um curto espaço de tempo ou ao longo de muito tempo, sendo maior do que a capacidade daquela pessoa de suportar o evento estressor, ocasionando a experiência traumática que deixa uma marca no psiquismo.

Diversos fatores vão determinar o grau do trauma na história daquele sujeito. Pessoas diferentes que viveram a mesma situação (guerras, fome, sequestro, assalto, acidente, abusos), podem encarar a experiência de modo distinto, com maior ou menor resiliência.


Alguns tipos de trauma

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Estudos atuais têm apontado que vivencias abusivas ou negligências ocorridas durante a infância podem desencadear o Transtorno do Estresse Pós Traumático na pessoa adulta
  • Trauma infantil – crianças e adolescentes estão em processo de formação e por isso, acabam mais expostos, apresentando elevada predisposição a absorverem o que vem do meio, inclusive situações traumáticas. Evitar circunstâncias violentas, falas e comportamentos abusivos é importante para preservá-las e manter sua saúde mental. Familiares com graves transtornos mentais, falta de suporte familiar ou social, violência doméstica, adultos que fazem uso abusivo de substâncias entorpecentes, são fatores de risco, o que contribui para que se instale a memória do trauma.

  • Trauma intergeracional – O trauma intergeracional foi observado inicialmente em filhos de pessoas que passaram pelos campos de concentração. Uma pesquisa em andamento feita pela FAPESP busca compreender se fatores epigenéticos (mudanças bioquímicas nas células que ativam ou silenciam os genes) podem contribuir para que o trauma seja passado de uma geração a outra. Em suma, existem marcadores inflamatórios que podem ser produzidos em larga escala durante a gestação, quando a gestante viveu experiências traumáticas em sua história e tais marcadores podem ser enviados ao feto por meio da placenta. Esse estudo deseja compreender as consequências disso na criança após o nascimento e como evitar que sejam transmitidos.

  • Transtorno do Estresse Pós Traumático (TEPT) – acomete cerca de 9% das pessoas que experienciaram alguma situação traumática. São sintomas persistentes e incapacitantes diante de fatores que lhe façam lembrar da experiência estressora, podendo surgir 3 meses ou até mais tempo, após o evento. Alguns sintomas são: evitar locais ou pessoas que possam desencadear gatilhos mentais e pouco interesse pelas situações cotidianas (embotamento). O medo é o principal colaborador para que se instale o TEPT, pois a pessoa fica relembrando a situação tendo dificuldade de conseguir sair desse ciclo doloroso. Estudos atuais têm apontado que vivencias abusivas ou negligências ocorridas durante a infância podem desencadear o TEPT na pessoa adulta.

Reconheça alguns sintomas dos traumas emocionais

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Terror noturno e pesadelos, reduzida habilidade para lidar com estresse e dificuldade para dormir, são alguns dos sintomas causados pelos traumas emocionais

O cérebro carrega no hoje a mesma vivacidade de algo ocorrido há 30 anos, podemos dizer que a memória é atemporal, por isso é importante observar sinais que podem ter relação direta com traumas. Abaixo está uma lista com alguns sintomas dos traumas, ela baseia-se no Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM 5) e no trabalho do médico canadense Gabor Maté, que no ano de 2021 lançou seu documentário sobre o tema, intitulado “The wisdom of Trauma” (a sabedoria do trauma, em tradução livre):


  1. Hipervigilância (fica à espera de que “algo ruim” possa acontecer a qualquer momento)

  2. Imagens intrusivas ou flashbacks (pensamentos negativos e imagens passadas surgem sem que você queira)

  3. Terror noturno e pesadelos

  4. Reduzida habilidade para lidar com estresse (conflitos constantes)

  5. Dificuldade para dormir

  6. Ataques de pânico, ansiedade e fobias

  7. Atração por situações perigosas

  8. Comportamentos de vício: comer demais, beber, fumar, usar drogas, etc.

  9. Incapacidade para amar, nutrir ou se relacionar com outras pessoas

  10. Fadiga crônica ou energia física baixa (cansaço constante)


Na criança pequena (até 6 anos) os sintomas podem incluir:

  1. Enurese noturna (urinar na cama);

  2. Criança passa a ter apego exagerado por um dos responsáveis;

  3. Perda ou esquecimento de como falar;

  4. Quando brinca, a criança pode reencenar a situação traumática.


É possível alcançar a cura emocional

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Pessoas que têm por hábito o cultivo de bons pensamentos, buscando encarar o presente de modo positivo, apresentam maiores chances de superação dos eventos traumáticos

Existem estudos que já demonstram que os traumas psicológicos e sua superação têm forte relação com o modo com o qual a pessoa interpreta o episódio traumático e com o ambiente no qual ela está inserida, por isso, a sua percepção da experiência e o meio, colaboram para que a pessoa consiga desenvolver, ou não, resiliência diante dos eventos traumáticos. Assim, a percepção e o ambientes são fundamentais nessa equação.

Pessoas que têm por hábito o cultivo de bons pensamentos, buscando encarar o presente de modo positivo, apresentam maiores chances de superação dos eventos traumáticos.

Discursos de vitimização, ambientes familiares nocivos, pensamentos depreciativos sobre si mesmo, são fatores que demandam maior cuidado no desafio de superação do trauma.

A neuroplasticidade cerebral é um recurso que ajuda a criar novos caminhos na mente, podendo reprogramar as informações de dor! Tudo isso se dá quando você está em um ambiente acolhedor, estável e de suporte emocional.

Todo mundo carrega em si um EU profundo e verdadeiro e o trauma é o afastamento desse eu, é necessário aprender a dominar sua mente e emoções ao invés de se deixar levar por medo e ansiedade, por tanto a cura dos traumas vem no

momento em que a pessoa se reconecta consigo mesma.

Para essa conexão com você e sua verdadeira essência confira a seguir algumas sugestões de como superar os traumas emocionais.


Como superar os traumas


  • Buscar um meio social que seja estável e acolhedor - é sabido que o meio social exerce influência sobre as pessoas, como exemplo podemos citar situações de pessoas adictas (usuárias de álcool e outras drogas) que passam por um tratamento de reabilitação, mas devem mudar o meio de convivência para conseguir manter os novos hábitos saudáveis conquistados, por isso, quanto mais estável e acolher o meio, maiores as chances de superação e cura.

  • Criar rotina de sono, alimentação, horário de trabalho e descanso – a vida é feita de ritmos, dia e noite, expansão e contração, seres humanos necessitam de rotina para ter um ritmo saudável de vida. Rotina não precisa ser chata, pode-se colocar emoção, alegria, movimento, desde que não se mantenha por muito tempo em apenas um polo, como dormir demais ou nunca dormir. Todo extremo é adoecido, aproximar-se do equilíbrio é saúde.

  • Fazer coisas que lhe geram prazer e bem estar – Qualidade de vida tem relação com ter os olhos brilhando. Os deveres são parte da vida e as alegrias também. O que faz seus olhos brilharem? Procure por estratégias que vão romper a repetição e tirar do tédio, sem abusos, lembre-se de buscar o equilíbrio (não a perfeição).

  • Praticar meditações guiadas para traumas e medos - No ano de 2018, o mundo pode acompanhar a saga de jovens atletas e seu treinador que ficaram 18 dias presos em uma caverna na Tailândia. O treinador é um ex-monge e diante da situação de grande estresse praticou meditação com os meninos, o que fez com que eles passassem por tal situação com maior confiança e reduzindo a ansiedade e o estresse naquele momento.

  • Reduzir situações estressoras – O estresse é responsável pelo aumento na produção do hormônio cortisol. Liberado em larga escala, esse hormônio pode gerar inflamações e consequentemente adoecimentos pelo corpo. Pense, como reduzir o estresse das situações? Quais estresses são evitáveis? Aqueles inevitáveis, como podem ser mais leves?

  • Procurar uma rede de suporte emocional, como acompanhamento psicológico, médico, religiosidade/espiritualidade - toda rede de suporte existe para auxiliar a pessoa a passar por situações desafiadoras, como nos casos de traumas. Profissionais comprometidos e que saibam lidar com esse tipo de dor podem contribuir com a cura. Da mesma forma, ligar-se a sua religiosidade ou espiritualidade, pode fazer com que você encare a situação com menos sofrimento.

  • Rever, acolher e ressignificar o trauma - rever, acolher e ressignificar os traumas é possível, para isso existe ajuda especializada. No primeiro momento podem surgir medo e angústia, mas, aos poucos, ao colocar o remédio no lugar certo, a ferida vai cicatrizando.

  • Focalização - a focalização é uma técnica utilizada na abordagem psicológica humanista que auxilia a pessoa a tratar diversas situações, dentre elas traumas, medos e ansiedades.

  • Cura da Criança interior - método que pode ajudar a ressignificar um trauma ocorrido na infância ou adolescência, ao resgatar e cuidar da criança ferida, fazendo com que o adulto tenha uma vida sem tantas limitações trazidas pelo trauma.


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